terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

A VERDADEIRA HISTÓRIA DOS PRIMÓRDIOS DA MAÇONARIA NO BRASIL

Por KENNYO ISMAIL ⋅ 28 DE NOVEMBRO DE 2011 ⋅ 


Infelizmente, história contada é história modificada. Isso porque a história é contada pelos sobreviventes e, via de regra, romanceada. E os maçons brasileiros, seres humanos como quaisquer outros, não fizeram diferente. Mas o compromisso maçônico da busca irrestrita e incessante da verdade faz com que alguns fatos, geralmente “esquecidos”, devam ser divulgados para que, pelo menos na Maçonaria, conheça-se a história real.
A história que quase todos os historiadores maçons contam é sempre a mesma e é mais ou menos assim: Em 1815, nove maçons fundaram Rio de Janeiro a Loja “Comércio e Artes”, a Loja Primaz do Brasil. Então, depois de alguns anos, em 1822, a Loja já contava com 94 membros, então resolveram dividir a Loja em três e fundar o Grande Oriente Brasileiro, primeira Obediência Maçônica no Brasil.
Na verdade, a Maçonaria brasileira não nasceu no Rio de Janeiro e nem tampouco lá foi o berço da primeira Obediência Maçônica. E, evidentemente, a Loja “Comércio e Artes” nunca foi a “Loja Primaz” do Brasil. Na verdade não foi nem a décima, quanto mais a primeira.
Apesar dos esforços de muitos autores maçons em negar isso, o pioneirismo maçônico brasileiro nasceu no Nordeste, mais precisamente na Bahia. A primeira cidade do Brasil também foi berço da primeira Loja Maçônica: “Cavaleiros da Luz”, fundada em 1797. Nada mais justo. Se quase tudo no Brasil começou lá, por que na Maçonaria seria diferente? O historiador e maçom Borges de Barros, que foi diretor do Arquivo Público da Bahia e relatou pela primeira vez a existência dessa Loja, ainda deu conta de que a Loja “Cavaleiros da Luz” foi a chama principal da Conjuração Baiana. Nada mal para os nossos pioneiros!
Mesmo com a dissolução dessa primeira Loja, com o passar dos anos a Maçonaria foi se desenvolvendo no fértil solo baiano: em 1802 surgiu a Loja “Virtude e Razão” que, depois de breve tempo adormecida, foi reerguida com o nome “Virtude e Razão Restaurada”, na mesma época em que, também de seu espólio, surgiu a Loja “Humanidade”. Ainda no Nordeste, não demorou para que a luz maçônica iluminasse, por influência da Bahia, o Estado de Pernambuco.
Sobre Pernambuco, é necessário aqui um comentário à parte:
Apesar de muitos escritores maçons assim desejarem, a “Areópago de Itambé” não era uma Loja Maçônica. No século XVIII existiam centenas de instituições criadas aos moldes da Maçonaria, usando símbolos iguais e similares, e até dividindo os graus em Aprendiz, Companheiro e Mestre como na Maçonaria. Era uma verdadeira “coqueluche” de Ordens, Clubes e Associações, e era muito comum os homens livres serem membros de duas ou mais dessas diferentes instituições, até mesmo no Brasil. Um exemplo disso é o “Apostolado”, da qual José Bonifácio, Gonçalves Ledo e D. Pedro I também faziam parte. Ser inspirada na Maçonaria não é o mesmo do que ser Loja Maçônica. (contributo nosso: Sobre o “Apostolado”, o Irmão William Almeida de Carvalho escreve: ... a 17 de junho de 1822. Já existia uma instituição paramaçônica chamada Apostolado da Nobre Ordem dos Cavaleiros da Santa Cruz, ou simplesmente Apostolado fundada por José Bonifácio a 2 de junho de 1822. Era uma organização nos moldes da Carbonária europeia cuja atuação Bonifácio bem conhecera, durante os anos em que permanecera na Europa.)
Em 1809, atendendo às inúmeras Lojas que já existiam, foi fundado em Salvador o “Governo Supremo” ou simplesmente “Grande Oriente”, a PRIMEIRA Obediência Maçônica brasileira. Não era um “Grande Oriente da Bahia”, como os poucos historiadores maçons que o citam costumam se referir, pois era composto de, pelo menos, 09 Lojas: 03 na Bahia, 04 em Pernambuco e 02 no Rio de Janeiro. Maçons portugueses e brasileiros, muitos deles iniciados na França e Portugal, eram membros dessas Lojas. Tudo isso 06 anos antes da fundação da “Comércio e Artes” e 13 anos antes do GOB. Pernambuco, por contar com maior número de Lojas, ganhou em 1816 uma Grande Loja Provincial filiada ao “Governo Supremo”.
Interessante observar que mais uma vez a Maçonaria se fez presente na história: um dos responsáveis pela formação do Governo Supremo e tido como primeiro Grão-Mestre da Grande Loja Provincial de Pernambuco, Antônio Carlos de Andrada, foi o líder da Revolução Pernambucana, em 1817. Prova maior do papel decisório da Maçonaria no movimento é a lei régia de 1818 proibindo sociedades secretas no Brasil.
Antes que alguém tente justificar a constante omissão de tais fatos nas “versões oficiais” da Maçonaria brasileira por conta dessas Lojas e Obediência não terem sido regulares, é importante observar que a Loja “União”, fundada em 1800 no Rio de Janeiro e sempre presente nas versões históricas, também era irregular. Somente após a adesão de algumas autoridades públicas, ela foi “refundada”, aparentemente de forma regular, e teve seu nome modificado para Loja “Reunião”. Até mesmo a histórica Loja “Comércio e Artes” foi fundada sem Carta Constitutiva em 1815 e trabalhou de forma irregular até 1818, quando foi fechada. Somente quando de seu reerguimento, em 1821, a “Comércio e Artes” se filiou ao Grande Oriente Lusitano. 
Isso só nos mostra que a história da Maçonaria no Brasil é, muitas vezes, contada conforme a conveniência, omitindo os verdadeiros pioneiros em favor dos sobreviventes, ou lembrando deles quando se quer apontar a Maçonaria como protagonista das conjurações. Também é no mínimo intrigante como a Maçonaria esteve presente nos movimentos revolucionários baiano e pernambucano, mas tantos historiadores maçons e não-maçons fazem questão de negar sua participação na Inconfidência Mineira. Mas isso é tema pra outra ocasião.

O importante é reforçar que, antes de fundada uma Loja situacionista, a qual originou a Obediência que promoveu a independência sob a manutenção do imperialismo no Brasil, houveram várias outras Lojas e até Obediências oposicionistas, e muitos de seus membros morreram ou sofreram duras penas defendendo os princípios maçônicos de liberdade e democracia. E a Maçonaria brasileira de hoje tem o dever moral de honrar essa história.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

22 DE FEVEREIRO - DIA INTERNACIONAL DO MAÇOM

“Dia Internacional do Maçom”

22 de fevereiro

A criação do dia 22 de fevereiro como “DIA INTERNACIONAL DO MAÇOM”, representa uma justa homenagem a um grande maçom, que antes de tudo, após a sua luta pela Independência de seu país, preferiu como forma de governo, uma República Democrática, transformando-se num dos Grandes vultos da História Universal.

O GOB – Grande Oriente do Brasil, através do Decreto Nº: 003, de 10/02/95, seu Grão-Mestre Francisco Murilo Pinto, atendeu à recomendação da reunião das mais importantes potências Maçônicas do mundo, e passa a comemorar o DIA INTERNACIONAL DO MAÇOM, no dia 22 de fevereiro, com plenas justificativas maçônicas e históricas.

HISTÓRIA

Nos dias 20, 21 e 22 de fevereiro de 1994, realizou-se em Washington, nos Estados Unidos, a Reunião Anual dos Grãos-Mestres das Grandes Lojas da América do Norte (Estados Unidos, Canadá e México).

Estiveram presentes como Obediências Co-Irmãs, a Grande Loja Unida da Inglaterra, a Grande Loja Nacional Francesa, a Grande Loja Regular de Portugal, a Grande Loja Regular da Itália, O Grande Oriente da Itália, a Grande Loja Regular da Grécia, a Grande Loja das Filipinas, a Grande Loja do Irã (no exílio); além do Grande Oriente do Brasil, a delegação chefiada pelo Grão-Mestre Francisco Murilo Pinto, que ali estava como observador.

Ao encerramento dos trabalhos, o Grão-Mestre da Grande Loja Regular de Portugal, Ir. Fernando Paes Coelho Teixeira, apresentou uma sugestão aprovada pelos Grãos-Mestres de todas as Grandes Lojas dos Estados Unidos e mais as do México e Canadá, no sentido de fixar o dia 22 de fevereiro como o DIA INTERNACIONAL DO MAÇOM, a ser comemorado por todas as Obediências reconhecidas, o que foi aprovado.

Por que 22 de fevereiro?

No dia 22 de fevereiro de 1732, em Bridges Creek, na Virginia (EUA), nasceu GEORGE WASHINGTON, o principal artífice da independência dos Estados Unidos. Nascido pouco depois do início da Maçonaria nos Estados Unidos – Vale ressaltar que a Maçonaria nos Estados Unidos teve início em 23 de abril de 1730, no estado de Massachussets, dois anos antes-. George Washington foi iniciado em 04 de novembro de 1752, na “Loja Fredericksburg Nº: 04″, de Fredericksburg, no estado da Virginia; elevado ao grau de Companheiro em 1753, e exaltado a Mestre em 04 de agosto de 1754.

Representante da Virginia no 1º Congresso Continental (1774) e Comandante das forças coloniais (1775) dirigiu as operações, durante os cinco anos da Guerra de Independência, após a declaração de 1776. Ao ser firmada a paz em 1783, renunciou à chefia do Exército, dedicando-se então aos seus afazeres particulares.

Em 1787, reunia-se, em Filadélfia, a Assembléia Constituinte, para redigir a Constituição Federal e Washington, que era um dos Delegados da Virginia; é eleito por unanimidade para presidi-la. Depois de aprovada a Constituição, havendo a necessidade de se proceder à eleição de um Presidente, figura nova na política norte-americana, Washington, pelo seu passado, pela sua liderança, e pelo prestígio internacional de que desfrutava, era o candidato natural e foi eleito por unanimidade, embora desejasse retornar à vida privada e dedicar-se às suas propriedades.

O Primeiro Presidente Norte-Americano GEORGE WASHINGTON, sendo um forte defensor da democracia, permitiu que o seu país emergisse como uma nação verdadeiramente voltada aos interesses do povo. Foi eleito por mais duas vezes ao cargo, mas após o final de seus mandatos, ele não tentou permanecer no poder. Então estabeleceu a organizada e pacífica passagem de poder de um líder eleito para outro – um precedente que sempre permaneceu em vigor em toda a história dos Estados Unidos.

Segundo alguns biógrafos de George Washington, este não era um grande pensador ou orador, assim como outros líderes americanos anteriores tais como Thomas Jefferson, James Madison ou Benjamin Franklin.

O legado do primeiro presidente norte-americano continua até hoje. A capital do país, Washington D.C. (Distrito de Colúmbia), recebe seu nome. Uma nação agradecida reconhece que sua grandeza se deve em grande parte a homens como Washington, que lutaram para criar um país baseado nos ideais de “vida, liberdade e a busca pela felicidade”. Mesmo que a história americana não seja impecável, a nação provou ser uma fonte de liberdade, oportunidade e riqueza para norte-americanos e imigrantes de outras nações do mundo.

Como Presidente da República norte-americana, nunca olvidou a sua formação maçônica: ao assumir o seu primeiro mandato, em abril de 1789, prestou o seu juramento constitucional sobre a Bíblia da “Loja Alexandria Nº: 22″, da qual fora Venerável Mestre em 1788; em 18 de setembro de 1783, como Grão-Mestre pro-tempore da Grande Loja de Maryland, colocou a primeira pedra do Capitólio – o Congresso norte-americano – apresentando-se com todos os seus paramentos e insígnias de alto mandatário Maçom.


Faleceu em sua casa em 14 de dezembro de 1799, seu sepultamento ocorreu no dia 18, em sua propriedade de Mount Vernon, numa cerimônia fúnebre Maçônica, dirigida pelo Reverendo James Muir, capelão da “Loja Alexandria Nº: 22″, e pelo Dr. Elisha C. Dick, Venerável Mestre da mesma Oficina.

FONTE: http://www.obreirosdeiraja.com.br/dia-internacional-do-macom-2/

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

AUMENTO ABUSIVO DE IMPOSTOS SOBRECARREGA OS CONTRIBUINTES

Mais uma vez o ano começa e a lembrança dos impostos nos chega. Mas desta vez, é diferente! Como infelizmente é de praxe, tivemos eleições no ano passado e prometeu-se "Pão e Circo" a todos, pelos preços antigos... Mas eleição acabou, ano passou, a malversação continuou e acabou-se por aumentar o preço "da farinha e da uva"! Quem paga pela má administração pública? Claro, o Povo!!! O pior é que foi este mesmo povo que colocou os políticos no governo, mas não a totalidade da população, apenas uma discreta maioria. Contudo, é a Nação Brasileira inteira que terá que pagar o pato (e o marreco, o boi, a galinha e tudo o mais!).

Vejamos o que saiu hoje na Gazeta do Povo :

Com problemas de caixa e dificuldades para pagar fornecedores, os governos federal, estadual e municipal começam o ano repassando a conta ao contribuinte. Enquanto no Paraná entram em vigor em abril as novas alíquotas do ICMS, em Curitiba haverá aumento no IPTU e ITBI. Já no plano federal, está previsto um pacote de “medidas amargas”, conforme anunciado na segunda-feira. Para analistas, a causa da crise é clara: as três esferas de poder não fizeram a lição de casa nos últimos anos e agora chegou a hora de ajustar as contas. “A classe política é hipócrita: nas campanhas, diz que não vai ter aumento de impostos, e assim que assume aumenta os tributos”, diz o presidente do conselho superior do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação, Gilberto Luiz do Amaral. “Se as contas estão em desequilíbrio, o último responsável é o contribuinte. O desequilíbrio se faz pelas despesas dos governos, e os pacotes usam sempre o mesmo caminho: aumento de impostos.” Reginaldo Gonçalves, coordenador do curso de Ciências Contábeis da Faculdade Santa Marcelina, de São Paulo, avalia que a população não tem serviços à altura dos impostos que paga. “O que mais questionamos hoje não é o aumento da carga tributária, mas a contrapartida do governo”, afirma. “Onde está a transparência na redução dos gastos públicos? O governo diminuiu ministérios, e a abertura de agências regulatórias? Cada vez mais a máquina está inchada e o governo corta em áreas prioritárias, como saúde e educação.” Sem volta Os governos deverão aumentar consideravelmente suas receitas neste ano, mas dificilmente os contribuintes pagarão menos impostos caso as contas se reequilibrem. Os especialistas lembram que o Brasil não é um país com “tradição” em reduzir tributos. “Quando acontece uma desoneração é por um motivo muito forte, por uma necessidade”, diz o tributarista Gilson Fausti, lembrando que há momentos em que setores específicos da economia precisam de um incentivo – como a indústria automobilística nos últimos anos. Para Fausti, tecnicamente as medidas dos governos foram corretas – errado foi o período. “O equívoco foi precisar chegar a esse ponto de impor um aumento de carga tributária para resolver deficiências que eram anunciadas”, diz. “Quando [os governos] tomaram medidas para corrigir as contas, tomaram de uma vez só. Como há pouca margem de manobra, o governo conserta sempre aumentando a receita.”


terça-feira, 13 de janeiro de 2015

MANIFESTO ANTITERRORISTA

Manifesto de Apoio Antiterrorismo

            Diante os atentados cometidos no último dia 07 janeiro de 2015 à sede do jornal Charlie Hebdo, em Paris, e também em consideração as manifestações do Grande Oriente da França, por meio de seu Grão Mestre, Daniel Keller,  pedindo apoio de Irmão de todo orbe para juntar forças no combate ao terrorismo e na manutenção da liberdade de expressão e de imprensa, a Soberana Grande Loja Maçônica do Brasil não poderia ficar calada e vem expressar seu repúdio ao ocorrido, bem como prestar solidariedade às famílias e amigos das vítimas, em especial dos Irmão Maçons que perderam a vida na ocasião.
            A Maçonaria preza pela total Liberdade, Fraternidade, Igualdade e Humanidade, de toda forma e sem quaisquer restrições. Assim sendo, defende que todos tem o direito a expressar-se livremente, desde que de forma respeitosa e verdadeira. Arguição e contra-argumentação fazem parte do salutar diálogo que leva à Democracia, tão defendida por nós.
            As palavras do Irmão Voltaire, “Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las”, definem bem o senso de Democracia, bem como o de Liberdade. Se nem mesmo o Grande Mestre Jesus Cristo agradou a todos, como nós, meros e imperfeitos seres humanos, criados todos a imagem e semelhança do Grande Arquiteto do Universo, poderíamos querer satisfazer “Gregos e Troianos”?
            Somos seres imperfeitos, sim! Mas que buscamos a perfeição.
            Não podemos tolerar quaisquer formas de totalitarismo, preconceito, discriminação, intolerância, injustiça, despotismo; sob qualquer pretexto, disfarce ou forma! Todo Homem e Mulher, Maçom ou não, tem o dever de zelar pelo bem estar do próximo e da humanidade; de promover a total Liberdade religiosa, política, de pensamento e de expressão; de aceitarem-se uns aos outros como seres iguais em Direitos e Deveres, independente de suas crenças, etnia ou sexualidade.
            Da mesma forma que em alguns cultos religiosos, os membros da Maçonaria tratam-se por “Irmãos”, pois consideramos que todos fazemos parte de uma grande família, a Família Maçônica. Contudo, temos certeza de fazermos parte de uma família maior ainda: a Família Humana! Como podemos agredir, atacar e ferir um irmão? Como podemos menosprezar nosso semelhante por pensar, agir ou parecer ser diferente de nós? Como podemos julgar sermos mais ou melhor que o outro, se somos sustentados pelos mesmos ossos, preenchidos pela mesma carne, revestidos pela mesma pele e sangramos o mesmo sangue vermelho e quente?
            A Soberana Grande Loja Maçônica do Brasil reitera que todos os Seres Humanos são Iguais e, desta forma, abomina e reprova terminantemente toda e qualquer forma de atentado ou de terrorismo, colocando-se De Pé e À Ordem ao Grande Oriente da França, bem como a quaisquer Irmãos que estiverem lutando por uma causa justa!

“Todo homem é culpado do bem que não fez”! (Voltaire)

Ir∴ Diego de Almeida33∴ - Benjamin Franklin∴
Ser∴ Grão Mestre da Soberana Grande Loja Maçônica do Brasil∴

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

O DILEMA DA SAPATILHA




O termo "Sapatilha" pode se referir a várias coisas: pode ser o sapato próprio de bailarinos, pode ser a forma com que se moldam chapéus de pelo ou feltro, ou ainda, a proteção que se coloca na ponta das espadas para evitar acidentes. Contudo, referimo-nos aqui àquele calçado flexível e macio, de solado fino, que é o queridinho de muitas mulheres!
Eu não gosto de sapatilhas! Mas isso não tem a mínima importância, pois não as uso, e quem usa, não vai se deixar influenciar pela minha opinião.
Sapatilhas são bonitas, práticas, confortáveis, de vários formatos e detalhes e que ficam bem com muitos estilos de roupas. As mulheres adoram! Basta olhar nas ruas para comprovar; exceto em pleno inverno, com temperaturas muito baixas, sempre se veem sapatilhas desfilando pelas calçadas, casas e lojas! Entrementes, mesmo com tantas qualidades, as sapatilhas tem um grande defeito: elas dão chulé!!!
É sério! Quem já teve a oportunidade de estar perto de uma mulher na hora que ela descalça sua linda sapatilha, sabe do que eu estou falando! Sapatilhas fedem! (não as novas, claro. Mas com pouco uso elas já adquirem o odor característico) E neste quesito, as sapatilhas são ecléticas; não importa a idade, raça, crença, ideologia política ou sexualidade de quem a use, e nem mesmo importa o tipo da sapatilha; todas cheirarão igual após algum uso!
Quando comentei este fato em uma roda de amigos, uma das presentes comentou: 
- Nossa! Verdade. E não importa se você paga R$ 25,00 ou R$ 300,00 na sapatilha, ela vai ter chulé igual! E nem adianta lavar, que no uso seguinte já vai voltar o chulé.
Ela estava usando uma sapatilha vermelha quando falou isso...
Mas o chulé da sapatilha não vem de graça. A "bromidrose", que é o nome dado ao chulé, é resultado da ação de bactérias que digerem o suor e os resíduos de descamação cutânea, liberando gases. 
Aí está! Como a sapatilha é um calçado de ponta fechada, sem ventilação, usado sem meia aos pés, a deposição de suor e partículas de pele é muito grande e, somado ao calor, torna-se um prato cheio para as bactérias fedorentas!
Mas a questão toda que estou levantando aqui não é o chulé da sapatilha e nem é campanha para o seu abolimento social... É a liberdade de escolha e a capacidade de relevar e superar algo!
Difícil entender? Explico. 
Do mesmo modo que as mulheres, sabendo que as suas sapatilhas poderão (e certamente que sim!) criar chulé, podem escolher entre usá-las ou não, em favor do conforto e da praticidade em detrimento do mau cheiro, na vida, todos somos livres para escolher, seja lá o que for, pesando seus prós e contras. 
Minha esposa adora sapatilhas! Mas eu a amo muito a ponto de relevar o fato. Não posso querer obrigá-la a não usá-las e muito menos, terminarei nosso casamento por eu não gostar do cheiro das sapatilhas! As coisas boas de nosso casamento são muito mais importantes e que as pequenas diferenças, defeitos ou particularidades de gostos que cada um de nós possa ter. 
Só crescemos moral e espiritualmente quando desenvolvemos a capacidade de relevar as coisas de menor importância. Relevar não significa desdenhar e nem mesmo ignorar. Relevar consiste em avaliarmos algo e julgarmos que o mesmo não é importante o suficiente para tomar nosso tempo ou nossas preocupações. Relevar significa escolher viver com mais tranquilidade e de forma mais serena mesmo com os percalços e agravos que a vida diária nos impõe.
Devemos todos ter a mesma capacidade de relevar pequenos aborrecimentos, do mesmo modo que as mulheres relevam o cheiro das sapatilhas, para podermos melhor usufruir das boas coisas da vida. Afinal, qual o pique-nique divertido que não tem suas formigas e abelhas? Qual a sapatilha confortável que não tem o seu chulé? 

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

A CASA CAIU!!! SÓ NÃO VÊ QUEM NÃO QUER... (OPERAÇÃO LAVA JATO)

“CRIME DE RESPONSABILIDADE”

O ESTADO DE S. PAULO

16 Novembro 2014 | 02h 03
Quando começou a vir à luz o conteúdo das investigações da Operação Lava Jato, lançada pela Polícia Federal (PF) em março deste ano para apurar a corrupção dentro da Petrobrás, houve quem previsse que a dimensão dessa encrenca poderia comprometer a realização das eleições presidenciais. Esse vaticínio catastrófico era obviamente exagerado. Mas os acontecimentos dos últimos dias revelam que esse escândalo sem precedentes não apenas compromete indelevelmente a imagem da maior empresa brasileira e da cúpula do partido que controla o governo federal há 12 anos - inclusive o ex-presidente Lula e a presidente reeleita Dilma Rousseff, como mostramos em editorial de sexta-feira -, mas pode ser só a ponta de um gigantesco iceberg.
Para ficar apenas nos acontecimentos mais importantes dessa semana: a empresa holandesa SBM Offshore, fornecedora da Petrobrás, fez um acordo com o Ministério Público de seu país pelo qual pagará US$ 240 milhões em multas e ressarcimentos para evitar processo judicial por ter feito "pagamentos indevidos" para obter contratos no Brasil e em outros dois países. No Brasil, a CGU iniciou investigações sobre as suspeitas de que cerca de 20 funcionários da Petrobrás teriam aceitado suborno da empresa holandesa.
Na quinta-feira, a auditoria PricewaterhouseCoopers anunciou que não vai assinar o balanço contábil do terceiro trimestre da Petrobrás - cuja divulgação foi por essa razão adiada - enquanto não conhecer as conclusões das investigações internas da empresa sobre o escândalo, por temer o impacto do desvio de recursos sobre os ativos da petroleira. Trata-se de uma precaução raramente adotada por firmas de auditoria - o que demonstra a gravidade da situação da Petrobrás.
Na sexta-feira, a Operação Lava Jato iniciou nova fase, colocando 300 policiais em ação em cinco Estados - São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Pernambuco e Minas Gerais - mais o Distrito Federal, para cumprir 85 mandados de prisão ou de busca contra executivos de empreiteiras e outros investigados por crimes de organização criminosa, formação de cartel, corrupção, fraude à Lei de Licitações e lavagem de dinheiro. Para começar, prenderam no Rio de Janeiro o ex-diretor de Serviços da Petrobrás Renato Duque, indicado para o cargo por José Dirceu.
Enquanto isso, chega a cerca de uma dezena o número de investigados da Lava Jato que reivindicam o benefício da delação premiada, numa demonstração de que quem tem o rabo preso no escândalo já percebeu que a casa caiu e a melhor opção é entregar os anéis para salvar os dedos, como já fizeram o ex-diretor Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef.
Diante das surpreendentes proporções do esquema de corrupção armado dentro da maior estatal brasileira com o objetivo de carrear recursos para o PT e seus aliados, não surpreende que os dois presidentes da República no poder durante o período em que toda essa lambança foi praticada soubessem perfeitamente o que estava ocorrendo. Em 2010 - Lula presidente e Dilma chefe da Casa Civil -, o Palácio do Planalto, por meio de veto aos dispositivos da lei orçamentária que bloqueavam os recursos, liberou mais de R$ 13 bilhões para o pagamento de quatro contratos de obras da Petrobrás, inclusive R$ 6,1 bilhões para a Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. O TCU havia chegado à conclusão de que esses custos estavam superfaturados, mas Lula e Dilma entenderam que era preferível tocar as obras. Só essa decisão comprova a responsabilidade desses políticos por um escândalo que deixa o Caso Collor no chinelo.
De fato, está registrada no Diário Oficial da União a prova documental da conivência de dois presidentes da República com a corrupção na Petrobrás. É um escândalo de dimensões mastodônticas que envolve todas as diretorias operacionais da estatal, dezenas de executivos de empreiteiras e outro tanto de políticos de praticamente todos os partidos mais importantes da base governista no desvio de recursos estimados em pelo menos uma dezena de bilhões de reais.
Somente alguém extremamente ingênuo, coisa que Lula definitivamente não é, poderia ignorar de boa-fé o que se passava sob suas barbas. Já Dilma Rousseff de tudo participou, como ministra de Minas e Energia e da Casa Civil e, depois, como presidente da República.

Devem, todos os envolvidos no escândalo, pagar pelo que fizeram - ou não fizeram.