Por Diego de Almeida
Eu costumo aprender muito com meus amigos... geralmente são grandes fontes de inspiração para mim! Desta feita, não foi diferente; Há certas frases que, embora simples, carregam dentro de si um peso moral considerável.
Não são frases rebuscadas. Não são discursos cuidadosamente elaborados. São afirmações diretas, pronunciadas quase com naturalidade, como quem diz algo óbvio; e justamente por isso revelam muito sobre o caráter de quem as profere.
Outro dia ouvi do meu Irmão Breno uma dessas frases. Não foi durante uma sessão solene, nem durante algum debate filosófico profundo. Foi em conversa comum, dessas que surgem entre Irmãos após os trabalhos, quando a formalidade ritualística dá lugar à convivência fraterna.
Ele disse, com absoluta simplicidade:
“Desde que fui iniciado na Loja Gênesis, sempre estive nela… e sempre vou continuar nela, com meus Irmãos.”
Confesso que aquilo me fez pensar... Porque, embora curta, a frase expressa algo cada vez mais raro no mundo moderno: lealdade.
Vivemos uma época em que quase tudo parece provisório. As pessoas trocam de emprego com frequência. Mudam de cidade, de projetos, de círculos sociais. Mudam até mesmo de convicções com certa facilidade.
Não há, em si, nada de errado com mudanças, afinal, a vida também é movimento.
Mas existe uma diferença fundamental entre mudança por crescimento e mudança por mera conveniência. E a lealdade pertence justamente ao campo oposto da conveniência. Ser leal não significa permanecer onde tudo é perfeito. Significa permanecer porque aquilo tem valor, mesmo quando existem imperfeições.
Isso vale para a amizade em geral. Amigos de verdade não são aqueles que aparecem apenas nos momentos agradáveis, nas comemorações e nas mesas fartas. Esses, convenhamos, costumam ser numerosos.
O teste real da amizade ocorre nos momentos menos confortáveis.
É nesses momentos que se revela quem está ali por circunstância… e quem está ali por convicção.
A lealdade se manifesta justamente na permanência. Não na permanência cega, mas na permanência consciente.
Muita gente sabe que eu participo de uma sociedade de estudos filosóficos chamada Maçonaria (e não é religião, ok... eu sou católico!). Na Maçonaria, esse conceito de lealdade ganha ainda mais profundidade.
Quando alguém é iniciado, não ingressa simplesmente em um grupo social ou em um círculo de convivência. Ingressa em uma fraternidade iniciática, construída ao longo de séculos. Ali convivem pessoas de histórias distintas, temperamentos diferentes e opiniões diversas. E isso é natural.
A Loja - nome dado à reunião dos Maçons - não é um lugar onde se reúnem pessoas perfeitas. Muito pelo contrário: ela é justamente o espaço onde homens e mulheres imperfeitos se encontram para trabalhar sobre si mesmos, para lapidar, pouco a pouco, a própria pedra bruta.
Nesse processo, inevitavelmente surgem divergências. Isso é natural! Às vezes surgem incompreensões. Outras vezes surgem diferenças de visão.
Mas é justamente nesse contexto que a lealdade se torna essencial; A lealdade é o cimento invisível que mantém a construção de pé.
Por isso aquela frase do Irmão Breno me pareceu tão significativa. Ela não foi dita em tom dramático. Não foi uma declaração solene. Foi apenas uma constatação tranquila: ele escolheu permanecer.
E permanecer, meus caros, é também um ato de caráter!
Num mundo em que muitos estão sempre procurando o próximo ambiente mais conveniente, há algo de profundamente digno em quem decide cultivar raízes.
Porque, no fundo, uma Loja não é apenas um espaço ritualístico. Ela também se torna parte da nossa história.
A lealdade, nesse contexto, não significa apenas permanecer em um lugar. Significa construir memória coletiva. Significa participar da construção de algo que existia antes de nós e continuará existindo depois de nós.
Entrementes…
Talvez seja isso que mais me chamou a atenção naquela frase aparentemente simples: Ela não falava apenas sobre presença. Falava sobre pertencimento.
Num tempo em que tantas relações parecem frágeis, temporárias e descartáveis, ouvir alguém afirmar com serenidade que continuará ao lado de seus Irmãos é quase um pequeno gesto de resistência moral.
E confesso: achei bonito.
Porque, no fim das contas, instituições não sobrevivem por séculos apenas por seus símbolos, rituais ou tradições. Elas sobrevivem porque existem pessoas que escolhem permanecer.
E não são apenas as instituições: serve para os grupos de amigos, os colegas de classe, os funcionários de uma empresa, os integrantes de um partido político ou sindicato... em qualquer ambiente ou situação onde dois ou mais serem humanos estiverem juntos, poderemos aplicar o conceito e a necessidade da lealdade, nas suas mais diversas formas!
E a lealdade - silenciosa, discreta e constante - continua sendo uma das pedras mais sólidas sobre as quais qualquer fraternidade pode ser construída.

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