sexta-feira, 28 de julho de 2017

A MAÇONARIA NO BRASIL



INTRODUÇÃO

Desde a crise do Antigo Sistema Colonial, a maçonaria está presente em nossa história, destacando-se inicialmente, entre alguns revolucionários da Inconfidência Mineira e da Conjuração Baiana no final do século XVIII. Nesse período que antecede a Independência, a maçonaria assumiu uma posição avançada, representando um importante centro de atividade política, para difusão dos ideais do liberalismo anticolonialista.
Sua influência cresceu consideravelmente durante o processo de formação do Estado Brasileiro, onde apareceu como uma das mais importantes instituições de apoio à independência, permanecendo atuante ao longo de todo período monárquico no século XIX. Nesse processo, a história do Brasil Império é também a história da maçonaria, que vem atuando na política nacional desde os primeiros movimentos de independência, passando pelos irmãos Andradas no Primeiro Reinado, até as mais importantes lideranças do Segundo Império, no final do século XIX.

O QUE É A MAÇONARIA?

Trata-se de uma associação semi-secreta, difundida no mundo todo, que adota os princípios de fraternidade e da filantropia entre seus membros. A maçonaria é composta principalmente por profissionais liberais, que se iniciam através de rituais incluindo juramentos de fidelidade e uma série de simbolismos, onde a moral, a fraternidade e a retidão são representadas pelo livro sagrado, pelo compasso e pelo quadrado. No cotidiano os maçons se comunicam através de sinais secretos, senhas e cumprimentos especiais.
A maçonaria não é uma seita religiosa, embora o único obstáculo para aceitação de um novo membro seja o ateísmo, já que os maçons professam a crença em um ser supremo. Ela é supra-religiosa, pois são aceitos cristãos, judeus, muçulmanos, budistas e qualquer pessoa de fé.

HISTÓRICO E CARACTERÍSTICAS

Em meados do século XV na Inglaterra as lojas medievais de Free Masons ("pedreiros livres"), inicialmente reservadas somente a profissionais ligados a esse ofício (arquitetos e engenheiros), abriram-se para membros da nobreza, da burguesia e do clero. Durante os séculos XVI e XVII, crescia cada vez mais o número desses maçons aceitos que conservaram os ritos e os símbolos da maçonaria tradicional de pedreiros, arquitetos e engenheiros, apegando-se, contudo, às suas próprias interpretações no tocante a questões filosóficas, científicas e espirituais.
No início do século XVIII aparece a franco-maçonaria moderna, que exerceu influência internacional no pensamento das sociedades modernas, difundindo-se principalmente, nos países anglo-saxônicos.
A hierarquia para iniciação maçônica possui três níveis (aprendiz, companheiro e mestre), que são desenvolvidos em lojas ou oficinas. Estes são os chamados graus simbólicos. Já os graus filosóficos, diferem em número, denominações e características dependendo do Rito praticado.
A simbologia da maçonaria é composta por elementos de uma linguagem coerente e complexa. Apesar de não possuir definição político-partidária ou religiosa, a maçonaria sempre atuou no campo político-ideológico.

A MAÇONARIA NO BRASIL

Apesar da maçonaria estar presente no Brasil desde a Inconfidência Mineira no final do século XVIII, a primeira loja maçônica brasileira surgiu filiada ao Grande Oriente da França, sendo instalada em 1797 no contexto da Conjuração Baiana. A partir de 1809 foram fundadas várias lojas no Rio de Janeiro e Pernambuco e em 1813 foi criado o primeiro Grande Oriente Brasileiro sob a direção de Antonio Carlos Ribeiro de Andrada e Silva.
A lusofobia tão presente nos movimentos de emancipação, também caracterizava a maçonaria brasileira, que desde seus primórdios não aceitava se submeter ao Grande Oriente de Lisboa.
Como em toda América Latina, no Brasil a maçonaria também se constituiu num importante veículo de divulgação dos ideais de independência, sendo que em maio de 1822 se instalou no Rio de Janeiro o Grande Oriente Brasílico, que nomeou José Bonifácio de Andrada e Silva o primeiro grão-mestre da maçonaria do país.
Com D. Pedro I no poder, o Grande Oriente Brasílico foi fechado, ressurgindo apenas com a abdicação do imperador em 1831, tendo novamente José Bonifácio como grão-mestre. Nesse mesmo ano ocorre a primeira cisão na maçonaria brasileira, quando o senador Vergueiro funda o Grande Oriente Brasileiro do Passeio, nome referente à rua do Passeio, no Rio de Janeiro.
A divisão enfraqueceu a maçonaria, que começou a perder influência no quadro político do Império brasileiro. Essa situação agravou-se em 1864, quando o papa Pio XI, através da bula Syllabus, proibiu qualquer ligação da Igreja com essa sociedade.
No contexto de crise do Império brasileiro, esse quadro tornou-se mais crítico em 1872, quando durante uma festa em comemoração à lei do Ventre-Livre, o padre Almeida Martins negou-se a abandonar a maçonaria, sendo suspenso de sua atividade religiosa pelo bispo do Rio de Janeiro. Essa punição tinha sido antecedida por um discurso feito pelo padre Almeida Martins na loja maçônica Grande Oriente, no qual o religioso exaltou a figura do visconde do Rio Branco, que, além de primeiro-ministro, era grão-mestre da maçonaria.
Neste processo, o bispo de Olinda, D. Vital e o de Belém, D. Macedo determinam o fechamento de todas irmandades que não quiseram excluir seus associados maçons. A reação do governo foi rápida e enérgica, quando em 1874, o primeiro-ministro, visconde do Rio Branco, determinou a prisão dos bispos seguida de condenação a quatro anos de reclusão com trabalhos forçados. Apesar da anistia concedida no ano seguinte pelo novo primeiro-ministro duque de Caxias, a ferida não foi cicatrizada e o Império decadente junto com a maçonaria que o sustentava, perdiam o apoio do clero e da população, constituindo-se num importante fator para queda do obsoleto regime monárquico e para separação do mesmo com a Igreja.
No período republicano a maçonaria conseguiu crescer e diversificar suas atividades pelo país, apesar de ter perdido o poder de influência no Estado brasileiro.
Nas últimas décadas, a maçonaria tem avançado em algumas frentes de filantropia e trabalhos sociais e voltado aos seus ideais originais, de crescimento moral e espiritual do indivíduo, preocupando-se menos com questões políticas. Infelizmente, sempre há exceções!

sexta-feira, 23 de junho de 2017

A CAPELA ROSSLYN - TEMPLARISMO? MAÇONARIA?



SEGREDOS DA CAPELA ROSSLYN – OS CAVALEIROS TEMPLÁRIOS E A MAÇONARIA


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A história da Maçonaria é distorcida por defesas ideológicas que pretendem impor uma visão preconcebida sobre as provas documentais sem o mínimo rigor histórico.
Assim como os obreiros operativos do século XV construíam seus templos e Igrejas sobre o alicerce sólido das pedras e da argamassa o historiador deve construir suas interpretações baseado na sobriedade dos documentos. Provas imagéticas, escritas e materiais que corroborem e permitam a mínima interpretação dos fatos são essenciais.
Falar da ligação entre Templários e Maçonaria, procurando pontes, transferências e transposições é como procurar as soluções para uma equação de duas incógnitas que convergem: o que antecede e leva à formalização da Maçonaria nos princípios do século XVIII e o que sucede e permanece depois da dissolução dos Templários e do ato papal de Clemente II durante o século XIV. São mais de 400 anos que separam o fim dos Cavaleiros Templários e a fundação da Grande Loja de Londres.
Essa influência, no entanto, está presente em nossa ritualística, na organização juvenil patrocinada pela Maçonaria: a Ordem Demolay e em vários outros aspectos de nossa Ordem. De onde ela vem? Ela é uma origem direta ou uma incorporação posterior?
Em primeiro lugar, a Maçonaria moderna só foi “fundada” em 1717. As agremiações que fomentaram a Maçonaria, segundo pesquisas da loja Quatuor Coronati de Londres, são modernas, o registro mais antigo sendo do século XVI. Mas a bula papal dissolvendo os Templários data de 1312. Como foi possível os Templários fundarem a Maçonaria? Nesse instante podemos nos perguntar: Há provas documentais que liguem a Maçonaria aos Cavaleiros Templários? Evidências? Suspeitas? Sim, elas existem. A mais intrigante delas é a Capela Rosslyn em Edimburgo na Escócia.
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A capela tornou-se extremamente popular após aparecer no romance O código Da Vinci e no filme de mesmo nome. Apesar de ser uma obra de ficção, o autor Dan Brown utilizou de evidências históricas para confeccioná-la o que apenas aumentou as especulações sobre essa misteriosa capela.
Como vimos 400 anos separam a criação da Grande Loja de Londres e o fim dos Cavaleiros Templários. Exatamente nesse intervalo encontra-se a Capela Rosslyn. Suas fundações remontam ao século XV, em 1446. Em seu interior encontram-se fortes evidências de uma possível ligação entre os Templários e a Maçonaria. Ela foi um projeto de Willian Saint Clair um nobre do século XV e patrono da associação local de pedreiros.
Como sabemos, os cavaleiros templários faziam parte da Ordem do Templo, ordem cristã de cavalaria fundada em 1118 para proteger os peregrinos que viajavam até a Terra Santa. Durante sua atuação em toda Europa e Ásia menor construíram muitas Igrejas, frequentemente em forma circular, similar a Igreja do Santo Sepulcro de Jerusalém. Um dos exemplos desta arquitetura é a Igreja Templária em Londres. Como podemos ver abaixo um dos símbolos dos “pobres cavaleiros de Cristo” era a representação de dois cavaleiros sobre uma só montaria. Este símbolo ressalta o sentimento de irmandade e humildade da Ordem. Abaixo à esquerda encontra-se a estátua da Igreja Templária em Londres, à direita encontra-se a estátua que ornamenta a capela Rosslyn.
Outros indícios nos levam a crer na correlação entre a capela Rosslyn, a Maçonaria e os templários. A estrutura do prédio da capela é idêntica ao templo judeu de Herodes, que substituiu o famigerado templo de Salomão. Como sabemos, o templo de Salomão é palco de uma lenda central para os maçons: a morte de Hiram Abiff, o construtor assassinado por aprendizes invejosos. Repleta de entalhes e esculturas, a capela Rosslyn possui em uma de suas colunas um mito correspondente à lenda maçônica: o pilar do aprendiz.
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No entanto, talvez a mais intrigante escultura seja a que veremos abaixo. Nela, teoricamente, podemos ver um candidato sendo iniciado. Há uma corda em torno do pescoço do candidato e uma venda que lhe oculta os olhos. Quem o segura, logo atrás, aparece com uma cruz templária no peito. As confluências entre esta imagem e o ritual moderno de iniciação da Maçonaria especulativa são, no mínimo, intrigantes.
Esse enigma construído em pedra parece tornar-se ainda mais nebuloso à medida que nos debruçamos sobre ele. Ela sugere através de suas imagens e alegorias que os Templários tiveram relação com sua construção 150 anos após terem sido extintos. Ao mesmo tempo, alimentam a ideia de que a Maçonaria fez representar ali seus símbolos e sua suposta ligação com os Pobres Cavaleiros de Cristo, 250 anos antes de sua fundação formal.
Não podemos afirmar que nenhum templário sobrevivente ao massacre promovido por Felipe, o Belo e o Papa Clemente II tenha mais tarde ingressado nas antigas ordens de construtores da Maçonaria operativa e influenciado sua ritualista. No fundo há uma transição essencial que assenta no fato de que a Maçonaria especulativa tenha herdado as vivências das sociedades anteriores então organizadas na Maçonaria operativa; essa transição foi necessariamente longa, progressiva, não deliberada, diversificada e por sucessivas incorporações de conhecimento, de saber e de práticas.
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De acordo com o historiador Burman “Em Portugal, muitos ex-Templários haviam tido permissão para entrar para a nova ordem de Jesus Cristo, que recebeu propriedades deles naquele país, e manter sua posição anterior”. Além disso, o autor afirma que nas demais partes da Europa “muitos continuaram a viver e trabalhar em suas propriedades rurais, exatamente como faziam antes”. (p. 219)
É minha convicção como historiador que as organizações maçônicas que aparecem formalmente no século XVIII se encontram entre o conjunto de instituições que herdaram o conhecimento, as práticas, os rituais e símbolos templários no que se refere à sua ala oculta. Igual sorte e benefício tiveram muitas outras organizações, ora centradas na investigação científica e alquímica, ora no aprofundamento do espiritualismo, do hermetismo ou dos rituais antigos. Porém, dizer que a Capela Rosslyn é uma prova incontestável da ligação entre Cavaleiros Templários e Maçonaria não é possível. Essa dúvida permanecerá como a própria Escócia envolvida em brumas e mistérios.

terça-feira, 2 de maio de 2017

O EMBUSTE DOS 300 ANOS DA GRANDE LOJA UNIDA DA INGLATERRA



Por Kennyo Ismail em "No Esquadro" (http://www.noesquadro.com.br/2016/09/o-embuste-da-fundacao-da-grande-loja-unida-da-inglaterra.html em 15 de setembro de 2016)

Há anos que eu tenho dito isso em minhas palestras e me deparado com o espanto no olhar da maioria dos irmãos na plateia, seguido de um franzir de testa por boa parte desses.
Como bons papagaios de avental, repetimos sempre que possível que a Grande Loja de Londres e Westminster foi fundada em 24 de junho 1717, tendo Anthony Sayer como seu primeiro Grão-Mestre, e, portanto, a Maçonaria Especulativa existe desde 1717 e blá-blá-blá, tomando por ponto de partida, sempre, 1717, quase que como um número cabalístico.
Sempre questionei tal informação. Sempre questionei o fato de não haver um documento com registro público da época, ou mesmo uma notícia reproduzida em um dos jornais londrinos. Sim, Londres tem jornais circulando desde 1621. Como poderiam deixar de noticiar algo como isso? A chamada Carta de Bolonha, quase 500 anos mais antiga, foi registrada em cartório… por que uma ata de fundação de 24/06/1717 não seria?
Mas a resposta dos irmãos a esse questionamento quase sempre foi mais ou menos a seguinte: “Todo mundo sabe que foi em 1717. Por que diabos você está questionando isso?”. E isso acompanhado de um nariz torcido.
Além disso, as notícias dos preparativos para a comemoração dos 300 anos da agora Grande Loja Unida da Inglaterra, por si, vinham dando ainda mais como certa essa “crença popular maçônica”. Pelo menos até agora…
Uma recente Conferência sobre História da Maçonaria, realizada pela afamada Loja de Pesquisas “Quatuor Coronati”, com o apoio do Queen’s College da Universidade de Cambridge, acaba de escrever um novo capítulo quanto a esse embuste sobre a fundação da então Grande Loja de Londres.
O famoso pesquisador maçônico, Dr. Andrew Prescott, e a professora de história e pesquisadora, Dra. Susan Mitchell Sommers, apresentaram na conferência um documento recentemente descoberto em um antigo livro de atas da “Lodge of Antiquity” (uma das fundadoras da Grande Loja de Londres e da qual William Preston foi Venerável Mestre), revelado recentemente. Trata-se da ata de fundação da Grande Loja, em 1721, tendo como seu Grão-Mestre fundador John Montagu, o 2º Duque de Montagu.
Esse documento histórico não somente impacta na crença quanto ao ano de fundação, mas desmascara as mentiras publicadas por James Anderson em sua Constituição, que davam conta da fundação em 1717 e de Antony Sayer como primeiro Grão-Mestre, e em sequência George Payne e John Desaguliers. Esses três, Sayer, Payne e Desaguliers, pelo que parece e até onde se pode comprovar documentalmente, nunca foram Grão-Mestres.

Não sei se fico feliz ou não ao dizer: “Eu avisei…”. De qualquer forma, com uma prova documental dessas, fica a dúvida se a Grande Loja Unida da Inglaterra (que, na verdade, somente foi fundada em 1813), manterá a comemoração dos 300 anos para o ano que vem*, mesmo que imprecisa, ou a adiará por mais alguns anos…

* o texto foi escrito em 2016.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

FELIZ ANO NOVO! ... E PROBLEMAS ANTIGOS!

Creio que o ano passado eu já escrevi algo a respeito deste assunto... o que só confirma a minha tese de que o tempo passa (muito depressa, por sinal!) mas que os problemas persistem os mesmos...
Já estamos praticamente em maio de 2017 e ainda eu não tinha me encorajado a escrever nada... São tantas coisas! Problemas pessoais, financeiros, frustrações, traições de pessoas que eram consideradas amigas e confiáveis, pagar pensão exorbitante para ex-mulher sem filhos enquanto muitas mãe não conseguem nada de seus ex-companheiros; filha que se separa... neto que fica doente... "ex-genro" que não que saber do filho... Projetos e obras novos se iniciando e incontáveis rasteiras nas nossas programações tão bem calculadas!
Sabe, chega uma hora que a gente começa a ver as coisas acontecendo e parece um teatro absurdo, totalmente fora da realidade, totalmente contrário ao senso comum e aos princípios morais vigentes... Nos custa acreditarmos que muitas coisas possas estar acontecendo de verdade!
Hoje, especialmente, 28 de Abril de 2017, é Greve Geral Nacional contra as Reformas da Previdência Social e Trabalhista! Bem, Greve Geral uma pinóia!!! É mais um bloqueio que uma greve!
Primeiramente, não estou dizendo que as Reformas são boas ou ruins; elas são necessárias! A forma de se trabalhar mudou muito ao longo dos anos, desde a década de 1940 quando a CLT foi implementada. A atualização da Lei Trabalhista só vem corroborar com os avanços tecnológicos e das relações empregatícias que já vêm ocorrendo nas últimas décadas. Os gastos da Previdência aumentam constantemente e se algo não for feito, a maioria da população realmente não vai se aposentar; não por questão de faltar idade ou tempo de contribuição, mas sim, por não ter dinheiro para pagar aposentadorias e pensões!
Repito: não quero dizer que as propostas são as melhores, mas alguma mudança deve haver!
Dizem que não querem que as pessoas se aposentem e que estão tirando os direitos adquiridos dos trabalhadores... quais direitos exatamente? O que se ganha em contra-partida? E outra coisa, com o aumento da expectativa de vida, alguém se aposentar aos 45, 50 anos e passar a ser sustentado por uma aposentadoria, sem produzir, por mais 25, 30 anos ou mais, está certo??? Ovacionemos a cultura do ócio!
Mas voltando às vacas frias, pois isto cabe outra discussão: Bloqueio Geral! Se alguém quer fazer greve, convença as demais pessoas da legitimidade de sua causa, vá até praça pública, espaço comum ou outro local, e faça sua manifestação! Agora, bloquear vias de acesso queimando pneus, colocando piquetes ou parando carros, impedindo dessa forma a livre circulação de pessoas, ou paralisando o transporte público e tirando da população a possibilidade de locomoção, ou impedindo acesso aos locais de trabalho, sejam fábricas, industrias, comercio ou repartições, públicas ou não, isso, meus caros, não é adesão à Greve! Pergunte a cada uma das pessoas paradas nos congestionamentos, bloqueios ou pontos de ônibus e afins se elas estão participando da Greve... A resposta será um redondo Não! Meia dúzia de sindicatos e esquerdopatas, por motivos puramente políticos (políticos sim! Não me queira convencer que é de forma altruísta que o fazem, exclusivamente pensando no bem maior da população!) agridem a sociedade, cerceando a ela o direito de ir e vir, de trabalhar e produzir segundo sua própria vontade, e ainda têm a cara de pau deslavada de dizer que a voz do povo será ouvida!
Fala sério, né, gente! Político é um ser canalha e descarado, mas não é burro! Eles sabem o que é mobilização e o que é paralisação! Nenhum político vai se comover de ver pessoas sem ir ao seus trabalhos porque o sindicato fechou a rua ou o ônibus não circulou!
Estou com tempo para escrever tudo isso porque mais da metade dos meus pacientes desta manhã faltaram à consulta... e tenho certeza que não foi por vontade deles!
As más intenções e péssimas ações de alguns impactam na vida de muitos e, mais uma vez, é o povo que sofre!!!
Feliz Ano Novo, Brasil!!!

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

TEMPO DE DERRUBAR E TEMPO DE EDIFICAR!

Muito nos diz o Eclesiastes... A vida é agitada e as vezes parece nos derrubar ao solo. As vezes, parece que nada dá certo e que por mais que tentemos, não alcançamos nossos objetivos... pelo contrário; parece que as coisas andam para trás!
Mas como disse, o Eclesiastes pode ensinar muito, se estivermos dispostos a entender... Não basta ler; devemos compreender, assimilar e permitir que o conhecimento inunde nosso ser e modifique nossa essência!
Tudo tem seu tempo, sua hora. Nada vem antes ou depois do determinado! A nós, cabe trabalharmos com afinco e dedicação para podermos desfrutar das benesses do trabalho bem feito. Não se colhem maçãs de espinheiros, logo, se queremos maçãs, deveremos cultivar macieiras! Poderão ocorrer secas, pragas, granizo, mas com persistência, haverá colheita!

Eclesiastes, Cap. 3 
1 Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu. 2 Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou; 3 Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar; 4 Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar; 5 Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar; 6 Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de lançar fora; 7 Tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar; 8 Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz. 9 Que proveito tem o trabalhador naquilo em que trabalha?  (...) 19 Porque o que sucede aos filhos dos homens, isso mesmo também sucede aos animais, e lhes sucede a mesma coisa; como morre um, assim morre o outro; e todos têm o mesmo fôlego, e a vantagem dos homens sobre os animais não é nenhuma, porque todos são vaidade. 20 Todos vão para um lugar; todos foram feitos do pó, e todos voltarão ao pó.  (...) 22 Assim que tenho visto que não há coisa melhor do que alegrar-se o homem nas suas obras, porque essa é a sua porção; pois quem o fará voltar para ver o que será depois dele?

Aprendemos e reaprendemos que há tempo de criar, há temo de destruir... há tempo de desistir e há tempo de recomeçar!

Sempre trabalhar... Esta é a única certeza!

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

CÂMARA DESFIGURA PACOTE ANTICORRUPÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO

Desolação e revolta... não tenho muito mais o que dizer. Aproveitando-se do silêncio da noite e, para seu favor, em meio à comoção geral da Nação pelo trágico acidente com o avião da Chapecoense, nossos "nobres Deputados Federais" acabaram com o Projeto das 10 Medidas Contra a Corrupção, de iniciativa do Ministério Publico Federal com o mais amplo apoio popular, deturpando o texto e transformando-o em Lei de auto-proteção a favor da Corrupção, aos moldes que os Legisladores Italianos fizeram na década de 1990, em relação à Operação Mãos Limpas (uma Lava-Jato italiana). A esperança é que pressões populares e do próprio MPF, possam promover uma reversão no texto do projeto quando este for avaliado e votado no Senado Federal, ou que ao final, o Presidente da República vete os artigos "pró-corrupção"... 
Estou estarrecido!!!!
Cito o que escreveu Reiner Bragon esta madrugada para a Folha de São Paulo:
Por: Ranier Bragon (De Brasília)
http://www1.folha.uol.com.br/poder/2016/11/1836979-na-madrugada-camara-fulmina-pacote-anticorrupcao-do-ministerio-publico.shtml

30/11/2016  04h26
Após aprovar por quase unanimidade o texto-base do pacote de dez medidas anticorrupção do Ministério Público, o plenário da Câmara dos Deputados passou a madrugada desta quarta-feira (30) votando emendas e derrubando vários pontos importantes da proposta.
Quase no final, o relator, o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), ironizou: "Está sendo dizimado [o pacote]. Do jeito que vai as dez medidas vão virar meia medida."A votação das emendas acabou às 4h19.
A primeira atitude dos deputados na madrugada foi incluir emenda com a possibilidade de punição de magistrados e integrantes do Ministério Público por crime de abuso de autoridade.
A isso se seguiu uma série de alterações no pacote, sempre na linha de suprimir propostas do Ministério Público de endurecimento da legislação ou de simplificação dos trâmites processuais.
A maior parte das emendas foi capitaneada por PP e PT, partidos com vários políticos implicados na Lava Jato.
Com votações expressivas contra o texto elaborado pela força tarefa de Curitiba, os deputados rejeitaram pontos como a tipificação do crime de enriquecimento ilícito de funcionário público, a ideia de tornar a prescrição dos crimes mais difícil e a de facilitar a retirada de bens adquiridos com a atividade criminosa.
Os parlamentares retiraram ainda a instituição do chamado "delator do bem", pessoa que ganharia uma recompensa por entregar a autoridades crimes do qual não participe, mas que tenha conhecimento. A medida, uma das preferidas de Lorenzoni, foi classificada jocosamente por deputados como "regulamentação da profissão de dedo-duro".
Outras medidas suprimidas foram as sugestões do Ministério Público de endurecimento da Lei de Improbidade e da possibilidade de cassação do registro e de punições mais severas a partidos e dirigentes que cometerem faltas graves.
De substancial, restou no pacote do Ministério Público a criminalização específica do crime de caixa dois eleitoral (uso de dinheiro de campanha sem registro à Justiça) e a inclusão de alguns crimes na categoria de hediondos caso o valor desviado seja superior a R$ 8,8 milhões.
Entregue ao Congresso em março, a proposta chegou com o apoio de mais de dois milhões de eleitores e era considerada como essencial pelo Ministério Público Federal no combate à corrupção.
Na comissão especial da Câmara, parte das propostas originais já havia sido retirada, entre elas a que permitiria o uso de provas ilícitas, desde que obtidas de boa fé, e o que dificultava a concessão pela Justiça de habeas corpus a presos.
O texto segue agora para análise do Senado. Terá ainda que passar por sanção do presidente Michel Temer, que pode vetar pontos do que for aprovado pelo Congresso.
Vergonha! Vergonha! Vergonha!

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

A HISTÓRIA DA LUVA CIRÚRGICA

O cirurgião norte-americano William Stewart Halsted (1852-1922) tem nome bem marcado na história da medicina tanto pela excelência do seu conhecimento médico, como pelo desenvolvimento de técnicas e invenção de equipamentos e apetrechos cirúrgicos. Vários epônimos estão ligados ao seu nome: Pinça de Halsted, a Cirurgia de Halsted, a Sutura de Halsted, entre outros.
 Em 1889, Halsted ingressou no recém fundado John Hopkins Hospital de Baltimore, onde foi pioneiro e gozava de grande prestígio. Na mesma ocasião, foram contratadas duas enfermeiras: Caroline Hampton e Isabel Hampton, que não eram parentes. Isabel era canadense e fora selecionada como superintendente de enfermagem do Hospital mas havia grande animosidade entre ela e Caroline. Para solucionar o problema, Halsted nomeou Caroline como supervisora do centro cirúrgico.
 Era uma época em que a medicina estava aprendendo a evitar a infecção nos procedimentos cirúrgicos. Halsted seguia um rigoroso ritual de antissepsia, que envolvia a desinfecção das mãos de toda a equipe cirúrgica, com o emprego de soluções antissépticas como o cloreto de mercúrio. Caroline Hampton tornou-se a instrumentadora das cirurgias de Halsted, mas logo desenvolveu uma severa dermatite de contato a esses produtos. O cirurgião, então, solicitou à Goodyear Rubber Company que criasse dois pares de luvas especiais para Caroline, de modo que ela pudesse continuar a exercer suas funções e não prejudicasse o processo de antissepsia nas operações. A ideia deu certo, as luvas funcionaram perfeitamente e a instrumentadora não precisou se afastar das cirurgias. Foi dessa forma que Caroline Hampton tornou-se a primeira profissional a utilizar luvas de borracha no centro cirúrgico.
É bem provável que a preocupação do cirurgião em proteger as mãos da instrumentadora para que ela pudesse continuar a seu lado tenha tido também, ou principalmente, motivação sentimental. O fato é que pouco tempo depois, em 1890, Halsted e Caroline se casaram. Não por outro motivo, as luvas que ensejaram o romance são frequentemente referidas como as "luvas do amor". Com o casamento,  Mrs. Halsted deixou o trabalho e a profissão. Viveram juntos por 32 anos e não tiveram filhos. Caroline Hampton Halsted morreu em novembro de 1922, dois meses depois da morte do marido.
Com o sucesso das luvas de borracha fina, sua utilização foi sendo ampliada. Inicialmente eram usadas apenas pelas enfermeiras e assistentes. Os médicos só foram utilizá-las mais tarde. Em 1893 Joseph Bloodgood, pupilo de Halsted começou a usar as luvas nas cirurgias e reduziu a próximo de zero as infecções nas cirurgias de hérnia. A partir daí, Halsted passou também a utilizá-las sistematicamente, convencido de sua utilidade na prevenção de infecções. Na virada do século XIX para o XX, a maioria dos hospitais americanos e do mundo já utilizavam as luvas cirúrgicas, agora já não só para proteger a mão dos profissionais, mas também como parte fundamental do processo da assepsia cirúrgica.
Em 2008, o John Hopkins Hospital aboliu o uso de luvas de látex porque elas provocavam frequentes casos de dermatite de contato, o mesmo motivo que levou à sua invenção, naquele mesmo hospital.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

LIBERDADE, MAÇONARIA E AS NOTAS DE REAL



Adaptado do texto “Marianne e a Maçonaria” do excelente blog “No Esquadro” do irmão Kennyo Ismail.

Você sabe qual é a relação entre a Estátua da Liberdade e a mulher estampada nas notas do Real? Elas são a mesma pessoa: Marianne.
E, por incrível que pareça, Marianne não está presente apenas nos EUA e em nosso rico dinheirinho. A mulher que serve como modelo para a estátua da Liberdade e que aparece nas notas de Real teve origem na Maçonaria.
Marianne é a figura alegórica de uma mulher que representa a República Francesa, sendo portanto uma personificação nacional francesa.
Sob a aparência de uma mulher usando um barrete frígio, Marianne encarna a República Francesa e representa a permanência dos valores da república e dos cidadãos franceses: Liberté, Égalité, Fraternité (Liberdade, Igualdade e Fraternidade). Marianne é a representação simbólica da mãe pátria, simultaneamente enérgica, guerreira, pacífica e protetora e maternal.
Até os livros escolares já se renderam à verdade de que a Maçonaria teve papel fundamental na Revolução Francesa, com a qual compartilha seu principal lema: “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”. Pois bem, a Liberdade deveria ser o primeiro princípio a ser alcançado, pois sem Liberdade não haveria como promover a Igualdade e vivenciar a Fraternidade. E os franceses adotaram como símbolo dessa liberdade a imagem de uma mulher, a qual ficou conhecida como Marianne. Seu surgimento deu-se entre Setembro e Outubro de 1792 e seu nome nada mais é do que a união de Marie e Anne, dois nomes muito comuns entre as mulheres francesas do século XVIII. Marianne se tornou símbolo da Revolução e de seus ideais e, com o êxito do povo, alegoria da República. Era chamada por uns de “Senhora da Liberdade” e por outros de “Senhora da Maçonaria”.
Para os aristocratas contra-revolucionários, o nome tornou-se pejorativo porque figurava o povo, a plebe. Os revolucionários adotaram-na para simbolizar a mudança de regime.
Bustos de Marianne contendo o lema “Liberdade, Igualdade e Fraternidade” não somente podem ser vistos em praticamente todas as prefeituras e principais edifícios públicos da França, como é peça obrigatória em todos os templos maçônicos daquele país. Há várias versões de Marianne portando objetos diversos, entre o famoso barrete, feixes, coroa, triângulo, estrela flamígera ou mesmo segurando uma colmeia (ah, vá?). Em uma de suas versões mais populares Marianne veste uma faixa maçônica contendo Esquadro e Compasso, abelhas, Nível e Prumo.
Quando a França resolveu presentear os EUA em comemoração aos seus 100 anos de declaração de independência, fez isso através da Estátua da Liberdade: uma versão maçônica de Marianne, feita pelo maçom Frederic Auguste Bartholdi. Não demorou para que Marianne se tornasse alegoria da República em todo o Ocidente, incluindo, é claro, o Brasil.

Se os americanos conseguem ver a Maçonaria na nota de um dólar, através do “Olho que tudo vê”, nós brasileiros podemos encontrá-la em todas as nossas notas através dela, Marianne, a Senhora da Liberdade, a Senhora da Maçonaria.