quarta-feira, 14 de novembro de 2018

A MAÇONARIA E A PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA BRASILEIRA

A participação da Maçonaria na Proclamação da República

Por: Waldir Ferraz de Camargo     

A Maçonaria esteve presente em todos os principais acontecimentos históricos do Brasil e que culminaram no país que hoje vivemos. Diferente não poderia ser a sua participação na Proclamação da República. “A partir de hoje, 15 de Novembro de 1889, o Brasil entra em nova fase, podendo se considerar finda a Monarquia, passando a regime francamente democrático com todas as consequências da liberdade.” Assim iniciava o editorial da Gazeta da Tarde, da edição do dia 15, anunciando o levante político-militar que instaurou a forma republicana presidencialista de governo no Brasil, pondo fim à soberania do imperador D. Pedro II.

Esse fato histórico, talvez o mais importante do país, teve como líderes e idealizadores maçons ilustres que hoje figuram nos livros de História, tais como Marechal Deodoro da Fonseca, Benjamim Constante, Rui Barbosa, Silva Jardim, Campos Sales, Quintino Bocaiuva, Prudente de Morais, Aristides Lobo e muitos outros.

A ideia republicana já era antiga no Brasil: nós a vemos na Guerra dos Mascates (1710), na Inconfidência Mineira (1789), na Revolução Pernambucana (1817), na Confederação do Equador (1824) e na Revolução Farroupilha (1835). O país clamava pela República e sua proclamação era uma questão de tempo. O Império estava desgastado e vagarosamente ruía, principalmente após a Guerra do Paraguai (1870) onde o Brasil mesmo sendo vitorioso não soube valorizar o Exército, seu principal agente, causando grande descontentamento na classe militar. A Igreja, por sua vez, queria a liberdade, pois se encontrava submetida ao padroado imperial.

Outro fato importante que fez com o Império perdesse sua sustentação foram as leis antiescravistas: Ventre Livre (1871), Sexagenários (1885) e Áurea (1888), fervorosamente defendidas nas Lojas Maçônicas. Entrelaçando esses e outros fatos a Maçonaria, através das Lojas Vigilância de São Borja (RS) e Independência e Regeneração (ambas de Campinas), aprovaram um manifesto contrário ao advento de um terceiro reinado e enviaram a todas as de demais lojas do Brasil, para que tomassem conhecimento e apoiassem essa causa. Mais uma vez a Maçonaria estava à frente liderando um movimento democrático.

Em 10 de novembro, na casa de Benjamim Constante, diversos maçons se reuniram, entre eles Francisco Glicério e Campos Sales, decidindo marcar para o dia 20 a tomada do poder, tendo à frente o militar de mais alta patente, o marechal Deodoro da Fonseca, que seria o primeiro presidente da República. A data teve de ser antecipada face a um boato ardilosamente arquitetado de que o governo havia mandado prender Deodoro da Fonseca. Confirmado depois que se tratava realmente de um boato.

Assim, na manhã do dia 15, Deodoro, que estava doente em sua casa, atravessou o Campo de Santana e do outro lado do parque conclamou os demais revolucionários ali aquartelados. Ofereceram-lhe um cavalo que nele montou e, segundo testemunhas, tirou o chapéu e gritou: “Viva a República!”. Depois apeou, atravessou o parque e voltou para sua residência. Na tarde do mesmo dia o ato foi confirmado na Câmara Municipal do Rio de Janeiro e oficialmente proclamada a República do Brasil.

Faz-se necessário aqui uma justiça ao imperador D. Pedro II, um homem culto, ponderado, também maçom, que, contrariando a opinião pública, não lutou pelo trono, pois não queria ver derramamento de sangue, reconhecendo que para o Brasil este seria seu novo e melhor destino. Numa atmosfera que se desenhou entre o pasmo e o temor dos monarquistas e admiração dos sensatos, passados apenas dois dias o imperador parte com toda sua família para a Europa, levando com ele meio século de história do Brasil Imperial, deixando renovadas as esperanças de se construir uma nova nação, com bases nos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade, cercada pela bonança esperançosa da paz.

O autor é licenciado em história, funcionário público estadual e membro da Loja Maçônica “Deus, Pátria e Família” de Bauru

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

MUSEU NACIONAL DA QUINTA DA BOA VISTA - DESCASO, ABANDONO, CORRUPÇÃO E CHAMAS...

Museu Nacional na Quinta da Boa Vista pega fogo - Uanderson Fernandes / Agência O Globo

Entrei naquele espaço, andei por aqueles corredores, admirei todo aquele acervo, senti a energia do passado... jamais o farei novamente... ninguém nunca mais o fará! Foi numa tarde de sol que eu e minha esposa pudemos apreciar tudo aquilo, respirando um ar com misto de cheiro de poeira do tempo com o mofo do abandono... era triste, mas mesmo assim, deslumbrante. Foi em outubro de 2016 e, naquela época, o edifício já clamava por socorro!
Quase dois anos depois, justamente no duocentenário do prédio do Museu Nacional da Quinta da Boa Vista, que fora residência da Família Imperial Brasileira, sobreveio a tragédia! Um incêndio de proporções dantescas arrasou com tudo! Uma perda lastimável e irreparável: centenas de anos de história do Brasil, milhares de anos de história da humanidade, milhões de anos de história do mundo! Sobraram apenas minerais e meteoritos que, não superam o poder destrutivo do homem, mas ainda suportam o das chamas!
Já há 5 anos havia um projeto de combate de incêndio para ser implantado, que era constantemente barrado pelos entraves burocráticos e exigências legais do IPHAN, BNDES e autoridades estaduais e federais. A liberação de alguns milhões de reais (milhões, sim... mas muito menos do que o governo libera de recursos pra trazer um show internacional para o Brasil, a ingressos de 400,00 reais e que só uma parcela bem seleta da população irá usufruir) teria sido suficiente para evitar uma derrocada cultural como esta!
Parece um absurdo falar em "só alguns milhões de Reais", mas, em se comparando com o que se desvia de verbas para abastecer bolsos escusos e mal-intencionados, o valor é um grão de areia diante de um mar de gastos obscenos e descaso com o bem público. 
Um povo sem história é um povo sem futuro! E o Brasil sofre de uma carência crônica de cultura descente e de perspectiva de amanhã melhor.
Meu coração chora a perda, como cidadão, como Brasileiro, como ser humano... 
Perdemos todos: o Rio de Janeiro, o Brasil e o Mundo!
Com um acervo de cerca de 20 milhões de itens, era o quinto maior museu de antropologia do mundo e figurava como importante instituição, não só como Museu que era, mas como laboratório de pesquisa. Peças de vestuário e mobiliário da Família Imperial e do Brasil Colônia e Império, fosseis de dinossauros, insetos, animais de todo tipo, artefatos ameríndios desde eras pré-colombianas, múmias e itens egípcios únicos no mundo, que nem no próprio Egito mais existia; tudo virou cinzas e escombros... 
É-me impossível deixar de imaginar quanto da população brasileira, e da carioca, em especial, realmente tem a noção do tamanho da perda e mais, que parcela que realmente se importa com isso? Quantas das pessoas que hoje são tomadas de assombro com o que houve, amanhã, ou semana que vem, ou no próximo mês, ainda se lembrarão e se indignarão com o ocorrido? 
Entre a labuta diária para ganhar o pão, a angústia da insegurança, a desesperança nas autoridades governamentais que solapam e esfolam a massa humana e a incerteza do que será o dia de amanhã, as fumaças da tragédia vão se dissipando nos ventos do ostracismo e mais um pedaço da história do Brasil e do Mundo vai se perdendo de forma irremediável, silenciosa e solitária.



sexta-feira, 29 de setembro de 2017

ESTÁ TUDO ERRADO COM AS ESTAÇÕES DO ANO!!!


Alguém já teve a impressão de que está tudo errado com as estações do ano? E se eu dissesse que está errado mesmo? Quem nunca reclamou de ondas de frio intenso em pleno outono e picos de calor no inverno? Mas o que será que está errado? Seriam tão somente as alterações climáticas globais ou existe algo a mais?
Primeiramente quero deixar bem claro que não sou astrólogo, astrônomo, astrofísico ou qualquer coisa que se valha. Este artigo é fruto de inconformismo com as Estações do Ano e de elucubrações que venho fazendo desde a infância. Mas para melhor entender o que tenho a discutir, é necessário que entendamos antes os princípios de Solstício e Equinócio, que são os marcos definidores das Quatro Estações. Para isso, transcrevo a explicação do site Mundo Educação (http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/geografia/solsticios-equinocios.htm):
Os Solstícios e equinócios são nomes dados aos dias que iniciam as estações do ano. A implantação dessas datas teve como pressuposto a intensidade com a qual os raios solares atingem a superfície terrestre.
Solstício é uma palavra oriunda do latim que significa “parado”. Esse fenômeno acontece no período do ano em que a Terra recebe uma quantidade maior de luz sobre um hemisfério. Os solstícios ocorrem em duas datas do ano: 21 de junho e 21 de dezembro. No solstício de 21 de junho, dá-se início ao verão no hemisfério Norte, desse modo, os dias são mais longos do que as noites. Já no hemisfério Sul, a data em questão marca o começo do inverno, no qual as noites são mais longas que os dias. No solstício de 21 de dezembro, inicia-se no hemisfério Norte a estação de inverno, período em que as noites são mais longas que os dias. Já no hemisfério Sul, a data determina o começo do verão, estação em que as noites são mais curtas do que os dias.
Equinócio é uma palavra derivada do latim que significa “noites iguais”. Esse fenômeno acontece quando os raios solares atingem com grande intensidade a zona intertropical, o que favorece uma uniformidade quanto à quantidade de luz e calor recebida pelos dois hemisférios (Norte e Sul). Os equinócios acontecem duas vezes por ano: 20 de março e 23 de setembro. No equinócio de 20 de março, data que marca o início da primavera, os dias são mais longos do que as noites, isso no hemisfério Norte. Já no hemisfério Sul, a data marca o começo do outono, com noites mais longas do que os dias. No equinócio de 23 de setembro, dá-se início ao outono no hemisfério Norte, com dias mais curtos que as noites. Já no hemisfério Sul, a data marca o começo da primavera, apresentando noites mais curtas que os dias.
Após esta explicação, alguns indivíduos mais atentos talvez tenham percebido um fato interessante: as Estações do ano iniciam-se por extremos!
Não conseguiu entender? Tudo bem, vamos exemplificar usando o Inverno, que “terminou” há poucos dias; o Inverno iniciou-se oficialmente em 21 de junho, o Solstício de Inverno, o dia de maior inclinação do eixo da Terra em relação aos raios solares e, por conseguinte, o dia cuja noite tem a maior duração do ano (neste Hemisfério). A partir daquela data, a Terra vai mudando de posição e a irradiação Solar vai, paulatinamente, direcionando sua perpendicularidade do Trópico de Capricórnio (no Hemisfério Sul) para a Linha do Equador. Quando os raios solares ficam perpendiculares a ela, ambos hemisférios terrestres recebem quantidade igual de luz e dia e noite tem a mesma duração – eis o Equinócio! Logo, a descrição anterior não é precisa, haja vista que o Inverno inicia justamente no dia mais frio do ano – ou melhor dizendo, de menor incidência solar - e, a partir de então, as noites passam a ser progressivamente mais curtas até atingir o Equinócio. Por conseguinte, Primavera e Outono iniciam-se nos dias em que a noite tem a mesma duração que o dia e este período noturno fica menor ou maior, respectivamente, até o final da Estação.
Logo, no caso do Inverno, as noites já vão ficando maiores durante todo o Outono até atingir o máximo no início oficial do Inverno e, a partir de então, elas passam e ficar menores no decorrer da Estação.
Dá para entender porque não é nenhum absurdo termos tempo frio em maio (final do Outono) ou dias quentes em setembro (final do Inverno). Porque nessas épocas, na verdade, a Estação já mudou, apenas não foi iniciada oficialmente.
Solstícios e Equinócios deveriam marcar o meio das Estações, que é algo mais realista. E não o seu início! Se fosse para ser mais realista com os eventos meteorológicos e climáticos, o Inverno deveria começar no dia 05 de maio, a Primavera, em 05 de agosto, o Verão, em 05 de novembro e o Outono, em 05 de fevereiro; ou seja, cerca de 45 dias antes do que é oficialmente – nos Solstícios e Equinócios!
Claro que isso tudo é apenas elucubração de uma mente insone e nunca serão alteradas as datas de inícios das Estações..., mas, da próxima vez que você for reclamar de frio em maio ou calor em agosto, lembre-se: não é o clima que está errado; nós é que interpretamos ele da forma errada!


sexta-feira, 28 de julho de 2017

A MAÇONARIA NO BRASIL



INTRODUÇÃO

Desde a crise do Antigo Sistema Colonial, a maçonaria está presente em nossa história, destacando-se inicialmente, entre alguns revolucionários da Inconfidência Mineira e da Conjuração Baiana no final do século XVIII. Nesse período que antecede a Independência, a maçonaria assumiu uma posição avançada, representando um importante centro de atividade política, para difusão dos ideais do liberalismo anticolonialista.
Sua influência cresceu consideravelmente durante o processo de formação do Estado Brasileiro, onde apareceu como uma das mais importantes instituições de apoio à independência, permanecendo atuante ao longo de todo período monárquico no século XIX. Nesse processo, a história do Brasil Império é também a história da maçonaria, que vem atuando na política nacional desde os primeiros movimentos de independência, passando pelos irmãos Andradas no Primeiro Reinado, até as mais importantes lideranças do Segundo Império, no final do século XIX.

O QUE É A MAÇONARIA?

Trata-se de uma associação semi-secreta, difundida no mundo todo, que adota os princípios de fraternidade e da filantropia entre seus membros. A maçonaria é composta principalmente por profissionais liberais, que se iniciam através de rituais incluindo juramentos de fidelidade e uma série de simbolismos, onde a moral, a fraternidade e a retidão são representadas pelo livro sagrado, pelo compasso e pelo quadrado. No cotidiano os maçons se comunicam através de sinais secretos, senhas e cumprimentos especiais.
A maçonaria não é uma seita religiosa, embora o único obstáculo para aceitação de um novo membro seja o ateísmo, já que os maçons professam a crença em um ser supremo. Ela é supra-religiosa, pois são aceitos cristãos, judeus, muçulmanos, budistas e qualquer pessoa de fé.

HISTÓRICO E CARACTERÍSTICAS

Em meados do século XV na Inglaterra as lojas medievais de Free Masons ("pedreiros livres"), inicialmente reservadas somente a profissionais ligados a esse ofício (arquitetos e engenheiros), abriram-se para membros da nobreza, da burguesia e do clero. Durante os séculos XVI e XVII, crescia cada vez mais o número desses maçons aceitos que conservaram os ritos e os símbolos da maçonaria tradicional de pedreiros, arquitetos e engenheiros, apegando-se, contudo, às suas próprias interpretações no tocante a questões filosóficas, científicas e espirituais.
No início do século XVIII aparece a franco-maçonaria moderna, que exerceu influência internacional no pensamento das sociedades modernas, difundindo-se principalmente, nos países anglo-saxônicos.
A hierarquia para iniciação maçônica possui três níveis (aprendiz, companheiro e mestre), que são desenvolvidos em lojas ou oficinas. Estes são os chamados graus simbólicos. Já os graus filosóficos, diferem em número, denominações e características dependendo do Rito praticado.
A simbologia da maçonaria é composta por elementos de uma linguagem coerente e complexa. Apesar de não possuir definição político-partidária ou religiosa, a maçonaria sempre atuou no campo político-ideológico.

A MAÇONARIA NO BRASIL

Apesar da maçonaria estar presente no Brasil desde a Inconfidência Mineira no final do século XVIII, a primeira loja maçônica brasileira surgiu filiada ao Grande Oriente da França, sendo instalada em 1797 no contexto da Conjuração Baiana. A partir de 1809 foram fundadas várias lojas no Rio de Janeiro e Pernambuco e em 1813 foi criado o primeiro Grande Oriente Brasileiro sob a direção de Antonio Carlos Ribeiro de Andrada e Silva.
A lusofobia tão presente nos movimentos de emancipação, também caracterizava a maçonaria brasileira, que desde seus primórdios não aceitava se submeter ao Grande Oriente de Lisboa.
Como em toda América Latina, no Brasil a maçonaria também se constituiu num importante veículo de divulgação dos ideais de independência, sendo que em maio de 1822 se instalou no Rio de Janeiro o Grande Oriente Brasílico, que nomeou José Bonifácio de Andrada e Silva o primeiro grão-mestre da maçonaria do país.
Com D. Pedro I no poder, o Grande Oriente Brasílico foi fechado, ressurgindo apenas com a abdicação do imperador em 1831, tendo novamente José Bonifácio como grão-mestre. Nesse mesmo ano ocorre a primeira cisão na maçonaria brasileira, quando o senador Vergueiro funda o Grande Oriente Brasileiro do Passeio, nome referente à rua do Passeio, no Rio de Janeiro.
A divisão enfraqueceu a maçonaria, que começou a perder influência no quadro político do Império brasileiro. Essa situação agravou-se em 1864, quando o papa Pio XI, através da bula Syllabus, proibiu qualquer ligação da Igreja com essa sociedade.
No contexto de crise do Império brasileiro, esse quadro tornou-se mais crítico em 1872, quando durante uma festa em comemoração à lei do Ventre-Livre, o padre Almeida Martins negou-se a abandonar a maçonaria, sendo suspenso de sua atividade religiosa pelo bispo do Rio de Janeiro. Essa punição tinha sido antecedida por um discurso feito pelo padre Almeida Martins na loja maçônica Grande Oriente, no qual o religioso exaltou a figura do visconde do Rio Branco, que, além de primeiro-ministro, era grão-mestre da maçonaria.
Neste processo, o bispo de Olinda, D. Vital e o de Belém, D. Macedo determinam o fechamento de todas irmandades que não quiseram excluir seus associados maçons. A reação do governo foi rápida e enérgica, quando em 1874, o primeiro-ministro, visconde do Rio Branco, determinou a prisão dos bispos seguida de condenação a quatro anos de reclusão com trabalhos forçados. Apesar da anistia concedida no ano seguinte pelo novo primeiro-ministro duque de Caxias, a ferida não foi cicatrizada e o Império decadente junto com a maçonaria que o sustentava, perdiam o apoio do clero e da população, constituindo-se num importante fator para queda do obsoleto regime monárquico e para separação do mesmo com a Igreja.
No período republicano a maçonaria conseguiu crescer e diversificar suas atividades pelo país, apesar de ter perdido o poder de influência no Estado brasileiro.
Nas últimas décadas, a maçonaria tem avançado em algumas frentes de filantropia e trabalhos sociais e voltado aos seus ideais originais, de crescimento moral e espiritual do indivíduo, preocupando-se menos com questões políticas. Infelizmente, sempre há exceções!

sexta-feira, 23 de junho de 2017

A CAPELA ROSSLYN - TEMPLARISMO? MAÇONARIA?



SEGREDOS DA CAPELA ROSSLYN – OS CAVALEIROS TEMPLÁRIOS E A MAÇONARIA


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A história da Maçonaria é distorcida por defesas ideológicas que pretendem impor uma visão preconcebida sobre as provas documentais sem o mínimo rigor histórico.
Assim como os obreiros operativos do século XV construíam seus templos e Igrejas sobre o alicerce sólido das pedras e da argamassa o historiador deve construir suas interpretações baseado na sobriedade dos documentos. Provas imagéticas, escritas e materiais que corroborem e permitam a mínima interpretação dos fatos são essenciais.
Falar da ligação entre Templários e Maçonaria, procurando pontes, transferências e transposições é como procurar as soluções para uma equação de duas incógnitas que convergem: o que antecede e leva à formalização da Maçonaria nos princípios do século XVIII e o que sucede e permanece depois da dissolução dos Templários e do ato papal de Clemente II durante o século XIV. São mais de 400 anos que separam o fim dos Cavaleiros Templários e a fundação da Grande Loja de Londres.
Essa influência, no entanto, está presente em nossa ritualística, na organização juvenil patrocinada pela Maçonaria: a Ordem Demolay e em vários outros aspectos de nossa Ordem. De onde ela vem? Ela é uma origem direta ou uma incorporação posterior?
Em primeiro lugar, a Maçonaria moderna só foi “fundada” em 1717. As agremiações que fomentaram a Maçonaria, segundo pesquisas da loja Quatuor Coronati de Londres, são modernas, o registro mais antigo sendo do século XVI. Mas a bula papal dissolvendo os Templários data de 1312. Como foi possível os Templários fundarem a Maçonaria? Nesse instante podemos nos perguntar: Há provas documentais que liguem a Maçonaria aos Cavaleiros Templários? Evidências? Suspeitas? Sim, elas existem. A mais intrigante delas é a Capela Rosslyn em Edimburgo na Escócia.
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A capela tornou-se extremamente popular após aparecer no romance O código Da Vinci e no filme de mesmo nome. Apesar de ser uma obra de ficção, o autor Dan Brown utilizou de evidências históricas para confeccioná-la o que apenas aumentou as especulações sobre essa misteriosa capela.
Como vimos 400 anos separam a criação da Grande Loja de Londres e o fim dos Cavaleiros Templários. Exatamente nesse intervalo encontra-se a Capela Rosslyn. Suas fundações remontam ao século XV, em 1446. Em seu interior encontram-se fortes evidências de uma possível ligação entre os Templários e a Maçonaria. Ela foi um projeto de Willian Saint Clair um nobre do século XV e patrono da associação local de pedreiros.
Como sabemos, os cavaleiros templários faziam parte da Ordem do Templo, ordem cristã de cavalaria fundada em 1118 para proteger os peregrinos que viajavam até a Terra Santa. Durante sua atuação em toda Europa e Ásia menor construíram muitas Igrejas, frequentemente em forma circular, similar a Igreja do Santo Sepulcro de Jerusalém. Um dos exemplos desta arquitetura é a Igreja Templária em Londres. Como podemos ver abaixo um dos símbolos dos “pobres cavaleiros de Cristo” era a representação de dois cavaleiros sobre uma só montaria. Este símbolo ressalta o sentimento de irmandade e humildade da Ordem. Abaixo à esquerda encontra-se a estátua da Igreja Templária em Londres, à direita encontra-se a estátua que ornamenta a capela Rosslyn.
Outros indícios nos levam a crer na correlação entre a capela Rosslyn, a Maçonaria e os templários. A estrutura do prédio da capela é idêntica ao templo judeu de Herodes, que substituiu o famigerado templo de Salomão. Como sabemos, o templo de Salomão é palco de uma lenda central para os maçons: a morte de Hiram Abiff, o construtor assassinado por aprendizes invejosos. Repleta de entalhes e esculturas, a capela Rosslyn possui em uma de suas colunas um mito correspondente à lenda maçônica: o pilar do aprendiz.
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No entanto, talvez a mais intrigante escultura seja a que veremos abaixo. Nela, teoricamente, podemos ver um candidato sendo iniciado. Há uma corda em torno do pescoço do candidato e uma venda que lhe oculta os olhos. Quem o segura, logo atrás, aparece com uma cruz templária no peito. As confluências entre esta imagem e o ritual moderno de iniciação da Maçonaria especulativa são, no mínimo, intrigantes.
Esse enigma construído em pedra parece tornar-se ainda mais nebuloso à medida que nos debruçamos sobre ele. Ela sugere através de suas imagens e alegorias que os Templários tiveram relação com sua construção 150 anos após terem sido extintos. Ao mesmo tempo, alimentam a ideia de que a Maçonaria fez representar ali seus símbolos e sua suposta ligação com os Pobres Cavaleiros de Cristo, 250 anos antes de sua fundação formal.
Não podemos afirmar que nenhum templário sobrevivente ao massacre promovido por Felipe, o Belo e o Papa Clemente II tenha mais tarde ingressado nas antigas ordens de construtores da Maçonaria operativa e influenciado sua ritualista. No fundo há uma transição essencial que assenta no fato de que a Maçonaria especulativa tenha herdado as vivências das sociedades anteriores então organizadas na Maçonaria operativa; essa transição foi necessariamente longa, progressiva, não deliberada, diversificada e por sucessivas incorporações de conhecimento, de saber e de práticas.
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De acordo com o historiador Burman “Em Portugal, muitos ex-Templários haviam tido permissão para entrar para a nova ordem de Jesus Cristo, que recebeu propriedades deles naquele país, e manter sua posição anterior”. Além disso, o autor afirma que nas demais partes da Europa “muitos continuaram a viver e trabalhar em suas propriedades rurais, exatamente como faziam antes”. (p. 219)
É minha convicção como historiador que as organizações maçônicas que aparecem formalmente no século XVIII se encontram entre o conjunto de instituições que herdaram o conhecimento, as práticas, os rituais e símbolos templários no que se refere à sua ala oculta. Igual sorte e benefício tiveram muitas outras organizações, ora centradas na investigação científica e alquímica, ora no aprofundamento do espiritualismo, do hermetismo ou dos rituais antigos. Porém, dizer que a Capela Rosslyn é uma prova incontestável da ligação entre Cavaleiros Templários e Maçonaria não é possível. Essa dúvida permanecerá como a própria Escócia envolvida em brumas e mistérios.

terça-feira, 2 de maio de 2017

O EMBUSTE DOS 300 ANOS DA GRANDE LOJA UNIDA DA INGLATERRA



Por Kennyo Ismail em "No Esquadro" (http://www.noesquadro.com.br/2016/09/o-embuste-da-fundacao-da-grande-loja-unida-da-inglaterra.html em 15 de setembro de 2016)

Há anos que eu tenho dito isso em minhas palestras e me deparado com o espanto no olhar da maioria dos irmãos na plateia, seguido de um franzir de testa por boa parte desses.
Como bons papagaios de avental, repetimos sempre que possível que a Grande Loja de Londres e Westminster foi fundada em 24 de junho 1717, tendo Anthony Sayer como seu primeiro Grão-Mestre, e, portanto, a Maçonaria Especulativa existe desde 1717 e blá-blá-blá, tomando por ponto de partida, sempre, 1717, quase que como um número cabalístico.
Sempre questionei tal informação. Sempre questionei o fato de não haver um documento com registro público da época, ou mesmo uma notícia reproduzida em um dos jornais londrinos. Sim, Londres tem jornais circulando desde 1621. Como poderiam deixar de noticiar algo como isso? A chamada Carta de Bolonha, quase 500 anos mais antiga, foi registrada em cartório… por que uma ata de fundação de 24/06/1717 não seria?
Mas a resposta dos irmãos a esse questionamento quase sempre foi mais ou menos a seguinte: “Todo mundo sabe que foi em 1717. Por que diabos você está questionando isso?”. E isso acompanhado de um nariz torcido.
Além disso, as notícias dos preparativos para a comemoração dos 300 anos da agora Grande Loja Unida da Inglaterra, por si, vinham dando ainda mais como certa essa “crença popular maçônica”. Pelo menos até agora…
Uma recente Conferência sobre História da Maçonaria, realizada pela afamada Loja de Pesquisas “Quatuor Coronati”, com o apoio do Queen’s College da Universidade de Cambridge, acaba de escrever um novo capítulo quanto a esse embuste sobre a fundação da então Grande Loja de Londres.
O famoso pesquisador maçônico, Dr. Andrew Prescott, e a professora de história e pesquisadora, Dra. Susan Mitchell Sommers, apresentaram na conferência um documento recentemente descoberto em um antigo livro de atas da “Lodge of Antiquity” (uma das fundadoras da Grande Loja de Londres e da qual William Preston foi Venerável Mestre), revelado recentemente. Trata-se da ata de fundação da Grande Loja, em 1721, tendo como seu Grão-Mestre fundador John Montagu, o 2º Duque de Montagu.
Esse documento histórico não somente impacta na crença quanto ao ano de fundação, mas desmascara as mentiras publicadas por James Anderson em sua Constituição, que davam conta da fundação em 1717 e de Antony Sayer como primeiro Grão-Mestre, e em sequência George Payne e John Desaguliers. Esses três, Sayer, Payne e Desaguliers, pelo que parece e até onde se pode comprovar documentalmente, nunca foram Grão-Mestres.

Não sei se fico feliz ou não ao dizer: “Eu avisei…”. De qualquer forma, com uma prova documental dessas, fica a dúvida se a Grande Loja Unida da Inglaterra (que, na verdade, somente foi fundada em 1813), manterá a comemoração dos 300 anos para o ano que vem*, mesmo que imprecisa, ou a adiará por mais alguns anos…

* o texto foi escrito em 2016.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

FELIZ ANO NOVO! ... E PROBLEMAS ANTIGOS!

Creio que o ano passado eu já escrevi algo a respeito deste assunto... o que só confirma a minha tese de que o tempo passa (muito depressa, por sinal!) mas que os problemas persistem os mesmos...
Já estamos praticamente em maio de 2017 e ainda eu não tinha me encorajado a escrever nada... São tantas coisas! Problemas pessoais, financeiros, frustrações, traições de pessoas que eram consideradas amigas e confiáveis, pagar pensão exorbitante para ex-mulher sem filhos enquanto muitas mãe não conseguem nada de seus ex-companheiros; filha que se separa... neto que fica doente... "ex-genro" que não que saber do filho... Projetos e obras novos se iniciando e incontáveis rasteiras nas nossas programações tão bem calculadas!
Sabe, chega uma hora que a gente começa a ver as coisas acontecendo e parece um teatro absurdo, totalmente fora da realidade, totalmente contrário ao senso comum e aos princípios morais vigentes... Nos custa acreditarmos que muitas coisas possas estar acontecendo de verdade!
Hoje, especialmente, 28 de Abril de 2017, é Greve Geral Nacional contra as Reformas da Previdência Social e Trabalhista! Bem, Greve Geral uma pinóia!!! É mais um bloqueio que uma greve!
Primeiramente, não estou dizendo que as Reformas são boas ou ruins; elas são necessárias! A forma de se trabalhar mudou muito ao longo dos anos, desde a década de 1940 quando a CLT foi implementada. A atualização da Lei Trabalhista só vem corroborar com os avanços tecnológicos e das relações empregatícias que já vêm ocorrendo nas últimas décadas. Os gastos da Previdência aumentam constantemente e se algo não for feito, a maioria da população realmente não vai se aposentar; não por questão de faltar idade ou tempo de contribuição, mas sim, por não ter dinheiro para pagar aposentadorias e pensões!
Repito: não quero dizer que as propostas são as melhores, mas alguma mudança deve haver!
Dizem que não querem que as pessoas se aposentem e que estão tirando os direitos adquiridos dos trabalhadores... quais direitos exatamente? O que se ganha em contra-partida? E outra coisa, com o aumento da expectativa de vida, alguém se aposentar aos 45, 50 anos e passar a ser sustentado por uma aposentadoria, sem produzir, por mais 25, 30 anos ou mais, está certo??? Ovacionemos a cultura do ócio!
Mas voltando às vacas frias, pois isto cabe outra discussão: Bloqueio Geral! Se alguém quer fazer greve, convença as demais pessoas da legitimidade de sua causa, vá até praça pública, espaço comum ou outro local, e faça sua manifestação! Agora, bloquear vias de acesso queimando pneus, colocando piquetes ou parando carros, impedindo dessa forma a livre circulação de pessoas, ou paralisando o transporte público e tirando da população a possibilidade de locomoção, ou impedindo acesso aos locais de trabalho, sejam fábricas, industrias, comercio ou repartições, públicas ou não, isso, meus caros, não é adesão à Greve! Pergunte a cada uma das pessoas paradas nos congestionamentos, bloqueios ou pontos de ônibus e afins se elas estão participando da Greve... A resposta será um redondo Não! Meia dúzia de sindicatos e esquerdopatas, por motivos puramente políticos (políticos sim! Não me queira convencer que é de forma altruísta que o fazem, exclusivamente pensando no bem maior da população!) agridem a sociedade, cerceando a ela o direito de ir e vir, de trabalhar e produzir segundo sua própria vontade, e ainda têm a cara de pau deslavada de dizer que a voz do povo será ouvida!
Fala sério, né, gente! Político é um ser canalha e descarado, mas não é burro! Eles sabem o que é mobilização e o que é paralisação! Nenhum político vai se comover de ver pessoas sem ir ao seus trabalhos porque o sindicato fechou a rua ou o ônibus não circulou!
Estou com tempo para escrever tudo isso porque mais da metade dos meus pacientes desta manhã faltaram à consulta... e tenho certeza que não foi por vontade deles!
As más intenções e péssimas ações de alguns impactam na vida de muitos e, mais uma vez, é o povo que sofre!!!
Feliz Ano Novo, Brasil!!!

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

TEMPO DE DERRUBAR E TEMPO DE EDIFICAR!

Muito nos diz o Eclesiastes... A vida é agitada e as vezes parece nos derrubar ao solo. As vezes, parece que nada dá certo e que por mais que tentemos, não alcançamos nossos objetivos... pelo contrário; parece que as coisas andam para trás!
Mas como disse, o Eclesiastes pode ensinar muito, se estivermos dispostos a entender... Não basta ler; devemos compreender, assimilar e permitir que o conhecimento inunde nosso ser e modifique nossa essência!
Tudo tem seu tempo, sua hora. Nada vem antes ou depois do determinado! A nós, cabe trabalharmos com afinco e dedicação para podermos desfrutar das benesses do trabalho bem feito. Não se colhem maçãs de espinheiros, logo, se queremos maçãs, deveremos cultivar macieiras! Poderão ocorrer secas, pragas, granizo, mas com persistência, haverá colheita!

Eclesiastes, Cap. 3 
1 Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu. 2 Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou; 3 Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar; 4 Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar; 5 Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar; 6 Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de lançar fora; 7 Tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar; 8 Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz. 9 Que proveito tem o trabalhador naquilo em que trabalha?  (...) 19 Porque o que sucede aos filhos dos homens, isso mesmo também sucede aos animais, e lhes sucede a mesma coisa; como morre um, assim morre o outro; e todos têm o mesmo fôlego, e a vantagem dos homens sobre os animais não é nenhuma, porque todos são vaidade. 20 Todos vão para um lugar; todos foram feitos do pó, e todos voltarão ao pó.  (...) 22 Assim que tenho visto que não há coisa melhor do que alegrar-se o homem nas suas obras, porque essa é a sua porção; pois quem o fará voltar para ver o que será depois dele?

Aprendemos e reaprendemos que há tempo de criar, há temo de destruir... há tempo de desistir e há tempo de recomeçar!

Sempre trabalhar... Esta é a única certeza!